O que aprendemos com a Carta à igreja de Éfeso?

 


“Conheço as obras que você realiza, tanto o seu esforço como a sua perseverança”

(Apocalipse 2.2)

A Bíblia fala da carta de Cristo à igreja de Éfeso (Apocalipse 2.1-7). É a primeira das sete cartas dirigidas às igrejas da Ásia Menor, região correspondente à atual Turquia. O texto apresenta elogios, advertências e um chamado ao arrependimento. Mesmo sendo uma mensagem para uma igreja do primeiro século, ela traz princípios atuais para a vida cristã, liderança espiritual e para os crentes em geral. Éfeso era uma cidade importante do mundo romano, conhecida pelo comércio, cultura e idolatria, especialmente pelo templo da deusa Ártemis. A igreja local havia sido muito influenciada pelo ministério de Paulo, Timóteo e, segundo a tradição cristã, também de João. A carta mostra uma igreja firme na doutrina, disciplinada e perseverante, mas espiritualmente esfriada no amor. Neste post, apresentamos algumas lições que extraímos desse evento bíblico.

1. A carta à igreja de Éfeso nos ensina que Jesus conhece profundamente a sua igreja e cada crente em particular: “Conheço as obras que você realiza, tanto o seu esforço como a sua perseverança” (Apocalipse 2.2). Em outras palavras, Jesus está nos dizendo que conhece o que fazemos no nosso dia a dia: as obras que realizamos, os esforços que promovemos em prol de seu reino, as lutas invisíveis que travamos, a nossa fidelidade à doutrina bíblica, o nosso ânimo e zelo para com as coisas de Deus, etc. Assim, nada escapa à avaliação de Cristo e, em face disso, nos tornamos indesculpáveis quando fugimos aos seus propósitos para vivermos a vida cristã do modo que achamos mais correto e adequado, e não sob as orientações de sua Palavra.

2. A carta à igreja de Éfeso nos ensina que é possível vivermos a vida cristã friamente, sem amor e sem fervor: “Tenho, porém, contra você o seguinte: você abandonou o seu primeiro amor” (Apocalipse 2.4). A igreja de Éfeso preservava a verdade, rejeitava falsos mestres e perseverava na doutrina bíblica. Porém, havia perdido a paixão e a devoção inicial pelo Senhor. Ou seja, o amor a Cristo não era mais o mesmo; certamente já não havia a mesma alegria e entusiasmo na adoração; não havia mais interesse pela oração, nem zelo na comunhão, etc. Com isso, vemos que é possível uma igreja correta teologicamente, bem organizada, ativa nos trabalhos do reino, moralmente firme, mas espiritualmente fria no relacionamento com Deus. O Senhor não deseja apenas atividades religiosas, mas um relacionamento vivo.

3. A carta à igreja de Éfeso nos convida ao arrependimento: “Lembre-se, pois, de onde você caiu. Arrependa-se e volte à prática das primeiras obras” (Apocalipse 2.5). Segundo o texto bíblico, o arrependimento inclui “lembrar-se”, depois “arrepender-se” e, por último, “voltar à prática das primeiras obras”. Sendo assim, essas três ações formam o caminho proposto por Deus para a restauração espiritual do crente em Cristo que perdeu o primeiro amor, e está vivendo um relacionamento com Deus sem vida, marcado apenas pela religiosidade.

4. A carta à igreja de Éfeso nos ensina que precisamos ser fiéis à doutrina bíblica, rejeitando os falsos ensinos presentes nos púlpitos de várias igrejas, e também nas redes sociais: “Mas você tem a seu favor o fato de que odeia as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio” (Apocalipse 2,6). A igreja de Éfeso foi elogiada por combater os falsos ensinos dos falsos apóstolos e desse grupo chamado de “nicolaítas”, em uma evidente demonstração de que uma igreja que prioriza o amor cristão e a comunhão com Deus não pode aceitar qualquer ensinamento bíblico. Sendo assim, o discernimento espiritual é de fundamental importância para os nossos dias, uma vez que o falso evangelho passou a ganhar notório espaço em nosso país, tendo grande aceitação por parte daqueles que não conhecem ao Senhor nem a sua Palavra, sendo, por isso, manipulados e explorados por falsos líderes que só visam ao lucro (2 Pedro 2.3).

Portanto, a carta à igreja de Éfeso nos ensina que o Senhor valoriza mais a comunhão com ele do que as atividades religiosas que colocam a igreja – e cada crente em particular – em uma condição de “aparência espiritual”. A questão central que fica é: “Eu ainda amo a Deus como antes”? A resposta a essa questão nos fará ou não participantes da recompensa divina: “Ao vencedor, darei o direito de se alimentar da árvore da vida, que se encontra no paraíso de Deus” (Apocalipse 2.7), isto é, se alimentar do próprio Cristo, a fonte da vida. A Bíblia ainda fala!

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