“Porque
nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula,
separado dos pecadores e exaltado acima dos céu”
(Hebreus
7.26)
A
Bíblia fala que Jesus é superior aos sumos sacerdotes do Velho Testamento (VT).
É bom lembrar que a superioridade de Jesus Cristo sobre os sumos
sacerdotes é um dos temas centrais da Carta aos Hebreus
4.15 em diante. O autor esclarece que Jesus não é simplesmente mais um
sacerdote na história de Israel: ele é o Sumo Sacerdote perfeito, eterno e
definitivo, por meio de quem temos acesso a Deus e recebemos uma redenção
plena. Neste post, apresentamos seis razões que mostram por que Cristo é
superior aos sumos sacerdotes do VT, e suas implicações para a vida cristã
contemporânea.
1.
Cristo é superior aos sumos sacerdotes por que é o Filho de Deus, santo e imaculado:
“Tendo, pois, Jesus, o Filho de Deus, como grande
sumo sacerdote [...] Ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança,
mas sem pecado” (Hebreus 4.14,15). Os sumos sacerdotes do VT eram homens
escolhidos dentre o povo e sujeitos às mesmas limitações humanas que os demais
israelitas. Embora separados para um ministério santo, eram pecadores e
necessitavam de sacrifícios para expiar seus próprios pecados (Levítico 16.6). Cristo, no entanto, é santo e
imaculado. Ele não precisa oferecer sacrifício por seus próprios pecados, pois
não possui pecado algum. Sua santidade pessoal o qualifica perfeitamente para
exercer o sacerdócio em favor dos outros. Assim, isso implica dizer que a nossa
confiança diante de Deus não está na perfeição moral de um líder religioso, de
um pastor ou de nós mesmos, mas está na perfeição de Jesus. Isso não elimina a
necessidade de santidade na vida cristã; ao contrário, leva-nos a buscar uma
vida santa como resposta à graça recebida (1 Pedro
1.15,16).
2. Cristo
é superior aos sumos sacerdotes por que o seu sacerdócio era da linhagem de
Melquisedeque: “Porque dele se testifica: Você é
sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque" (Hebreus 7.17).
Os sacerdotes do VT pertenciam à linhagem de Arão, da tribo de Levi. Sua
legitimidade sacerdotal estava relacionada à genealogia estabelecida pela Lei
mosaica. Jesus, porém, veio da tribo de Judá, e não da tribo de Levi (Hebreus 7:13-14). Logo, o seu sacerdócio não se
fundamenta na sucessão arônica, mas na designação divina segundo a ordem de
Melquisedeque, que aparece em Gênesis 14 como
figura de Cristo. Para o escritor aos Hebreus, o sacerdócio de Cristo é
superior ao sistema baseado na genealogia levítica. Jesus exerce o seu
sacerdócio não por uma sucessão hereditária, mas pelo poder de uma vida
indestrutível e permanente (Hebreus 7.16),
cumprindo uma promessa divina que apontava para a existência de um sacerdócio
permanente e definitivo (Salmo 110.4). Sendo
assim, isso implica afirmar que a esperança cristã não depende de uma linhagem
sacerdotal humana nem da sucessão de mediadores falíveis. A nossa confiança
repousa naquele que Deus constituiu como sumo sacerdote para sempre, isto é,
Jesus Cristo.
3. Cristo
é superior aos sumos sacerdotes por que o seu sacerdócio previa um sacrifício
perfeito e definitivo: “ele entrou no Santuário,
uma vez por todas, e obteve uma eterna redenção” (Hebreus 9.12). No VT,
os sacrifícios eram repetidos. No Dia da Expiação, por exemplo, o sumo
sacerdote entrava no lugar santíssimo com sangue sacrificial para tratar da
impureza e dos pecados do povo (Levítico 16).
Esses sacrifícios tinham uma função real dentro da aliança mosaica, mas não
aperfeiçoavam definitivamente a consciência do adorador. Eles apontavam para
uma realidade futura e não podiam remover os pecados de maneira definitiva (Hebreus 10.1-4). Cristo, ao contrário, ofereceu a
si mesmo como sacrifício perfeito, entrando no Santuário celestial
definitivamente, depois de oferecer um único sacrifício pelos pecados,
assentando-se à direita de Deus (Hebreus 10.10,12).
O sacrifício de Jesus não precisa ser repetido nem complementado por outro
sacrifício expiatório, pois ele não é provisório, incompleto ou dependente de
uma repetição sacrificial. Dessa forma, isso implicar concluir que o cristão
não precisa tentar comprar o perdão divino por obras, penitências ou
sacrifícios pessoais. A obediência, a oração, a generosidade e o serviço
cristão são importantes, mas constituem respostas de fé e gratidão, não
complementos à obra expiatória de Jesus.
4. Cristo
é superior aos sumos sacerdotes por que o seu sacerdócio é eterno: “Jesus, no entanto, porque continua para sempre, tem o
seu sacerdócio imutável” (Hebreus 7.24). O sacerdócio levítico era
exercido por homens mortais. Por isso, muitos sacerdotes sucederam uns aos
outros ao longo da história de Israel. A morte impedia cada sacerdote de
continuar seu ministério indefinidamente. Em outras palavras, os sacerdotes da
antiga aliança eram numerosos porque a morte os impedia de permanecer, mas
Jesus possui um sacerdócio permanente porque permanece para sempre (Hebreus 7.23). O resultado disso é que Jesus “pode também salvar perfeitamente os que por ele se
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7.25). A
ressurreição de Jesus é essencial para essa verdade. Ele não apenas morreu
pelos pecadores, mas ressuscitou e vive eternamente, e o seu sacerdócio não
pode ser interrompido pela morte. A salvação oferecida por Cristo é
sustentada por seu sacerdócio permanente. Aquele que nos reconciliou com Deus
continua vivo e intercede por nós. Desse modo, isso implicar esclarecer que a
segurança da nossa salvação não depende da permanência de um líder religioso,
da estabilidade de uma instituição ou da ausência de dificuldades na vida.
Nossa confiança está em Cristo, que é fiel, que vive e permanece para sempre.
Não quero dizer com isso que o cristão jamais enfrentará lutas, correção divina
ou consequências de seus pecados, mas dizer que ele tem um Salvador vivo, capaz
de sustentá-lo em sua caminhada de fé.
5. Cristo
é superior aos sumos sacerdotes por que o seu sacerdócio representa uma aliança
superior: “Mas agora Jesus obteve um ministério
tanto mais excelente, quanto é também Mediador de superior aliança instituída
com base em superiores promessas” (Hebreus 8.6). A antiga aliança foi
estabelecida por Deus com Israel e tinha sacerdtes, sacrifícios, mandamentos e
um santuário terreno. Por meio dela, Deus revelou sua santidade, o pecado
humano e a necessidade de expiação. Entretanto, ele anunciou uma nova aliança,
caracterizada por sua lei escrita no coração do ser humano, pelo conhecimento
do Senhor e pelo perdão dos pecados (Jeremias
31.31-34), sendo Cristo o mediador dessa nova aliança (Hebreus 9.15). A superioridade dessa aliança não
significa que Deus tenha cometido um erro ao estabelecer a primeira. A antiga
aliança cumpriu o propósito que lhe foi dado na história da redenção,
preparando o caminho para a obra de Cristo. Ou seja, em Jesus, as promessas de
perdão, reconciliação e comunhão com Deus encontram o seu cumprimento decisivo.
O relacionamento com Deus não se fundamenta na observância do sistema levítico,
mas na obra de Cristo e na nova aliança estabelecida por seu sangue. Logo, isso
implicar dizer que a fé cristã não consiste apenas em cumprir regras
exteriores. Deus transforma o coração e conduz o seu povo a uma obediência que
nasce da fé, da ação do Espírito Santo no coração humano e do amor a Deus. Eu
não estou dizendo que a Lei de Deus seja inútil, mas que a vida cristã deve ser
compreendida à luz do cumprimento da redenção em Cristo.
6. Cristo
é superior aos sumos sacerdotes por que o seu sacerdócio concede acesso direto
a Deus: “Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para
entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos
abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10.19,20). Na
antiga aliança, o acesso ao lugar santíssimo era restrito. O sumo sacerdote não
podia entrar ali de qualquer maneira, pois a sua entrada estava sujeita às
determinações de Deus (Levítico 16.2). Com a
morte de Jesus, entretanto, o véu do templo foi rasgado, sinalizando a profunda
transformação que sua morte trouxe à relação entre Deus e os seres humanos (Mateus 27.50,51), que agora têm acesso à presença
de Deus, sendo Jesus o mediador dessa relação (1
Timóteo 2.5).
Concluindo,
a mensagem central de Hebreus 4.15 em diante
é que Jesus Cristo é superior aos sumos sacerdotes da antiga aliança porque é o
Filho de Deus, sem pecado, pertence à ordem sacerdotal de Melquisedeque,
ofereceu a si mesmo como sacrifício perfeito, vive eternamente, ministra no
santuário celestial e é o mediador da nova aliança. Essas verdades convergem
para a conclusão de que não precisamos procurar outro fundamento para a nossa
reconciliação com Deus além de Jesus Cristo. O sacerdócio superior de
Cristo não é apenas uma discussão histórica ou teológica. Ele possui
implicações profundas para a fé, para a adoração, para a perseverança e para a
maneira como o cristão enfrenta o pecado e as dificuldades da vida. A Bíblia
ainda fala!
