“Estas
coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes”
(Apocalipse
2.12)
A Bíblia fala sobre a carta de Cristo à igreja de Pérgamo
(Apocalipse 2.12–17). Esta carta apresenta uma
das mensagens mais profundas e solenes dirigidas às sete igrejas da Ásia por
revelar o conflito entre fidelidade a Cristo e acomodação ao sistema do mundo.
A cidade de Pérgamo era um centro político, religioso e cultural extremamente
influente, marcado por idolatria, culto imperial e práticas pagãs intensas. Nesse
post, apresentamos algumas lições que extraímos desse texto bíblico.
1. A
carta à igreja de Pérgamo nos ensina que Cristo conhece a realidade social e
espiritual que envolve cada crente: “Conheço o
lugar onde você mora, que é o lugar onde está o trono de Satanás” (Apocalipse
2.13). A cidade de Pérgamo era marcada pelo culto imperial, recheada de
idolatria e paganismo, o que nos faz compreender a presença do poder maligno
dominando aquela cidade. Assim, vemos que o crente em Cristo nem sempre escolhe
o ambiente em que vive, mas pode escolher como permanece nele, mantendo-se fiel
ou não ao Senhor.
2. A
carta à igreja de Pérgamo nos ensina que Cristo conhece o comportamento
espiritual de cada crente: “Sei que você conserva o
meu nome e não negou a fé que tem em mim” (Apocalipse 2.13). Mesmo
vivendo em um lugar hostil ao evangelho, os crentes de Pérgamo não abandonaram
a fé, nem negaram a Cristo, mas se mantiveram firmes em meio a perseguição.
Desse modo, vemos que Jesus sabe como nos comportamos em relação ao seu nome e
à fé, principalmente diante das adversidades que a vida nos impõe. Ele espera
que continuemos firmes na fé e preguemos o seu nome como sendo o único caminha,
a única verdade e a verdadeira vida (João10. 6).
3. A carta à igreja de
Pérgamo nos ensina que Cristo conhece a vida secreta de cada crente: “estão aí em seu meio os que sustentam a doutrina de
Balaão” e “estão também aí em seu meio os
que seguem a doutrina dos nicolaítas” (Apocalipse 2.14,15). Apesar de
não negar a Cristo, a igreja em Pérgamo era tolerante com os falsos ensinos e o
sistema mundano, representados pelos ‘nicolaítas’ e pela ‘doutrina de Balaão”,
um falso profeta do Velho Testamento, que induzia o povo de Deus ao erro
espiritual (Confira no livro de Números, cap. 22-25). Sendo assim, vemos paradoxalmente
que uma igreja pode ser externamente ortodoxa na forma como apresenta a Cristo
ao mundo, mas internamente comprometida com o erro doutrinário e o pecado
oculto de muitos de seus membros. Em outras palavras: atualmente, a igreja evangélica
brasileira não é mais vítima de nenhuma perseguição diabólica, mas é vítima do
sincretismo religioso, do relativismo moral, das concessões culturais, das
barganhas políticas que tem aceitado e que muito têm atingido a sua
espiritualidade e colocado em dúvida a sua fidelidade a Cristo.
4. A
carta à igreja de Pérgamo nos ensina que Cristo não tolera o falso ensino, nem uma
vida cristã mundana: “arrependa-se! Se não, irei
até aí sem demora e lutarei contra eles com a espada da minha boca” (Apocalipse
2.16). A igreja de Pérgamo precisava se arrepender e voltar-se para Cristo;
precisava instruir seus membros a terem uma conduta cristã condizente com a sua
fé. A igreja de nossos dias também precisa de arrependimento e de uma conduta
condizente com a fé em Cristo. Cada crente em particular que esteja envolvido
com o falso ensino e o sistema mudando também. Assim, não podemos tolerar o
pecado, normalizar erros, adaptar-se ao espírito da época, pois essas coisas não
são toleradas pelo Senhor.
Portanto,
a carta à igreja de Pérgamo nos ensina que uma fé autêntica exige
discernimento; que a santidade não pode ser negociada; que Cristo honra os que
permanecem fiéis até o fim. A questão central que fica é: “Eu estou resistindo
aos falsos ensinos e à corrupção do mundo”? A resposta a essa questão nos fará
participantes ou não da vida de Cristo: “Ao
vencedor, darei do maná escondido. Também lhe darei uma pedrinha branca, e,
sobre essa pedrinha, um novo nome escrito, o qual ninguém conhece, exceto
aquele que o recebe” (Apocalipse 2.17). A Bíblia ainda fala!