“Estas
coisas diz o Primeiro e o Último, que esteve morto e tornou a viver”
(Apocalipse
2.8)
A Bíblia fala sobre a carta de Cristo à igreja de Esmirna (Apocalipse 2.8-11). Essa carta apresenta uma
das mensagens mais encorajadoras e profundas do Novo Testamento. Diferente de
outras igrejas do Apocalipse, Esmirna não recebe repreensão; ela recebe
consolo, exortação e promessa em meio ao sofrimento. Esmirna era uma cidade
rica, leal ao Império Romano e fortemente marcada pelo culto ao imperador. Os cristãos
que se recusavam a adorar César sofriam perseguição econômica, social e até
física. Logo, Jesus escreve para crentes pobres e perseguidos, mas
espiritualmente ricos. Neste post, apresentamos algumas lições que
extraímos desse texto bíblico.
1. A
carta à igreja de Esmirna nos ensina que Jesus conhece profundamente o
sofrimento do seu povo: “Conheço a sua tribulação e
a sua pobreza...” (Apocalipse 2.9). Esse texto bíblico nos revela uma
verdade central: nenhum sofrimento do salvo em Cristo passa despercebido aos
seus olhos. A igreja em Esmirna era perseguida, economicamente prejudicada,
rejeitada pela sociedade e alvo de constantes acusações. Porém, o Senhor disse
para essa igreja que conhecia tudo. Assim, aprendemos que Jesus não é
indiferente à dor do seu povo, e que o sofrimento do salvo em Cristo não
significa abandono, mas serve de demonstração da presença divina em nossas
vidas cotidianas.
2. A
carta à igreja de Esmirna nos ensina que a verdadeira rique é espiritual: “Mas você é rico” (Apocalipse 2.9). A igreja em
Esmirna era materialmente pobre, mas espiritualmente rica. Isso confronta a
lógica humana, presente na teologia da prosperidade, de que o sucesso espiritual
é medido por dinheiro, influência política, poder, reconhecimento social. Sendo
assim, Uma igreja pode ser pequena, perseguida e pobre financeiramente, mas
ainda ser grandemente valiosa diante de Deus por ser fiel a ele, perseverante
em meio às perseguições, santa em meio aos pecados do mundo, tendo uma fé
genuína e profunda comunhão com o Senhor.
3. A
carta à igreja de Esmirna nos ensina que o sofrimento pode ser o resultado da
fidelidade a Deus: “O diabo lançará alguns de vocês
na prisão...” (Apocalipse 2.10). Esse texto bíblico nos leva a aprender
algo teologicamente importante: o sofrimento nem sempre é consequência de
pecado, mas, às vezes, é consequência da fidelidade a Deus. O Novo Testamento nos
ensina repetidamente que a igreja enfrentará perseguição, o mundo resistirá aos
valores do evangelho e a fidelidade verdadeira será provada nas crises. Desse
modo, a carta à Esmirna combate um evangelho superficial, presente em vários
púlpitos e nas redes sociais, que promete apenas conforto terreno, como se o
céu do crente em Cristo fosse a terra.
4. A
carta à igreja de Esmirna nos ensina que Deus prova a fidelidade do seu povo: “Para que sejam provados...” (Apocalipse 2.10). O Diabo,
sob os limites permitidos por Deus, agiria contra a igreja de Esmirna por dez
dias – terão uma tribulação de dez dias (Apocalipse
2.10), mas tudo sob o controle de Deus, já que o mal não possui autoridade
absoluta. Com isso, compreendemos que Deus é soberano e está no controle de
todas as coisas, permitindo o sofrimento na vida de seus servos por um tempo
limitado e com um propósito espiritual bem específico: “Seja
fiel até à morte” (Apocalipse 2.10). Isso não minimiza a dor, mas mostra
que ela não está fora do controle divino.
5. A
carta à igreja de Esmirna nos ensina que a fidelidade a Cristo vale mais que a
vida. A ordem de Jesus é clara o objetiva: “Seja fiel
até à morte...” (Apocalipse 2.10). O cristianismo bíblico, desde os seus
primórdios, sempre ensinou que Cristo deve estar acima da autopreservação. Os
cristãos de Esmirna corriam risco real de morte por causa da fé, mas não
deveriam ter suas vidas por preciosas. Dessa forma, a fidelidade a Deus é o
valor supremo da vida cristã. O texto bíblico supracitado nos ensina que a
igreja de Cristo deve permanecer firme sob pressão, jamais negociar as verdades
bíblicas, perseverar mesmo quando houver perdas e amar a Cristo acima de tudo.
Portanto,
a Carta à igreja de Esmirna nos ensina que a presença do sofrimento não prova a
ausência de Deus. Ela desmonta a ideia de que prosperidade material é prova
automática de bênção espiritual, apresentando-nos o Cristo que vê aquilo que o
mundo ignora e acompanha a sua igreja nas tribulações. A questão central que
fica é: “Eu sou fiel a Cristo”? A resposta a essa questão nos fará
participantes ou não da eternidade divina: “O
vencedor não receberá o dano da segunda morte” (Apocalipse 2.11),
isto é, a separação eterna de Deus. A Bíblia ainda fala!