“Estas
coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo”
(Apocalipse
2.18)
A
Bíblia fala sobre a carta de Cristo à igreja de Tiatira (Apocalipse 2.18-29). Essa carta é uma das mais
detalhadas e desafiadoras entre as sete cartas. Ela apresenta tanto elogios
quanto severas advertências, oferecendo lições espirituais profundas à igreja contemporânea. Neste post, apresentamos algumas lições que aprendemos
com esse texto bíblico.
1. A
carta à igreja de Tiatira nos ensina que Cristo conhece todos os aspectos que
envolvem a nossa vida espiritual, inclusive os avanços e retrocessos: “Conheço as obras que você realiza, o seu amor, a sua fé,
o seu serviço, a sua perseverança e as suas últimas obras, mais numerosas do
que as primeiras” (Apocalipse 2.19). Diferentemente da igreja de Éfeso,
que havia abandonado o primeiro amor, Tiatira demonstrava amadurecimento, sendo
possuidora de qualidades notáveis e crescimento espiritual contínuo. Assim,
entendemos que Cristo não deseja apenas que comecemos bem a vida cristã, mas
que terminemos melhor do que começamos, produzindo frutos para a sua glória (João
15.8).
2. A
carta à igreja de Tiatira nos ensina que Cristo não tolera o pecado dentro da
igreja: “Tenho, porém, contra você o fato de
tolerar que essa mulher, Jezabel, que se declara profetisa, não somente ensine,
mas ainda seduza os meus servos a praticar a prostituição e a comer coisas
sacrificadas aos ídolos” (Apocalipse 2.20). A figura de Jezabel nesse
texto bíblico é enigmática, representando provavelmente uma falsa profetisa ou
um sistema de ensino corrupto dentro da própria igreja de Tiatira, à semelhança
da Jezabel do Antigo Testamento, esposa do rei Acabe, a qual controlava um
grupo enorme de falsos profetas para enganar o povo de Deus e o conduzi-lo à
idolatria (1 Reis 18.20–40). A Jezabel de Tiatira incentivava
os irmãos a viverem em imoralidade sexual, a terem compromisso espiritual com a
idolatria e a se conformarem com as práticas pagãs da sociedade de sua época. Sendo
assim, entendemos que uma igreja pode ser ativa e amorosa, mas ainda assim
estar em perigo espiritual por tolerar falsos ensinos e/ou práticas pecaminosas
entre seus membros. Em outras palavras, amor sem verdade torna-se
permissividade. A fidelidade bíblica exige discernimento espiritual e
obediência ao Senhor.
3. A
carta à igreja de Tiatira nos ensina que Cristo dá tempo para que nos
arrependamos de nossos pecados: "Dei-lhe tempo
para que se arrependesse..." (Apocalipse 2.21). Antes do juízo
divino, o Senhor nos adverte, tenta nos corrigir, nos chama ao arrependimento,
nos dá tempo. Somente quando o arrependimento é rejeitado é que o julgamento do
Senhor ocorre. A paciência de Deus não deve ser confundida com aprovação do
pecado, mas com misericórdia temporária: antes que venha o juízo divino,
precisamos confessar nossos pecados, abandonar a frieza espiritual e nos voltar
para o Senhor. Dessa forma, entendemos que a graça de Deus não elimina a sua
santidade, mas nos dá a oportunidade de nos arrependermos e voltarmos para os
seus braços.
4. A
carta a igreja de Tiatira nos ensina que a responsabilidade da vida cristã é
pessoal, mesmo fazendo parte de uma igreja: “...e
retribuirei a cada um de vocês segundo as suas obras” (Apocalipse 2.23).
Jesus distingue os fiéis dos infiéis. Mesmo em ambientes espiritualmente
comprometidos, é possível vivermos e permanecermos fiéis ao Senhor. Ao longo da
história bíblica, Deus sempre preservou um remanescente fiel que não se curvou
aos prazeres desse mundo. Assim, a nossa fidelidade a Cristo não pode depender
da maioria das pessoas com as quais congregamos, mas de uma atitude de coração
e lealdade nossa. É possível servirmos a Deus e sermos leais a ele mesmo quando
muitos ao nosso redor seguem um caminho oposto.
Portanto,
a carta à igreja de Tiatira nos ensina que Cristo vê tudo e conhece
profundamente seu povo, isto é, cada crente em particular; que o crescimento
espiritual é valorizado por Deus; que o amor deve caminhar junto com a verdade;
que Deus oferece oportunidade de arrependimento para cada um de nós e que o pecado
traz consequências espirituais danosas. A questão que fica é: “Estou sendo
tolerante com o pecado ou estou perseverando em fidelidade a Cristo? A resposta
a essa questão nos fará participante do reino vindouro de Cristo e de sua
natureza eterna: “O vencedor, que guardar até o fim
as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações [...] e lhe darei
ainda a estrela da manhã” (Apocalipse
2.26-28). A Bíblia ainda fala!