O que aprendemos com a carta à igreja de Laodiceia?

 


“Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira”

(Apocalipse 3.14)

A Bíblia fala sobre a carta de Cristo à igreja de Laodiceia (Apocalipse 3.14-22), a última das sete igrejas mencionadas nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse. Trata-se de uma das passagens mais conhecidas do livro, principalmente por causa da expressão "nem és frio nem quente". No entanto, sua mensagem vai muito além da ideia de "falta de entusiasmo". Ela aborda autossuficiência, orgulho espiritual, arrependimento e comunhão com Cristo. Neste post, apresentamos algumas lições que extraímos desse evento bíblico.

1. A carta à igreja de Laodiceia nos ensina que Jesus é o Senhor absoluto da igreja: “Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3.14). Com esses títulos, Jesus revela à sua igreja que é absolutamente confiável; seu diagnóstico espiritual é perfeito e completo e que ninguém conhece melhor a condição da igreja do que ele. Assim, nossa avaliação sobre nós mesmos pode estar completamente errada, pois o diagnóstico que realmente importa é o de Cristo.

2. A carta à igreja de Laodiceia nos ensina que o maior perigo espiritual é a mornidão: “Conheço as obras que você realiza, que você não é nem frio nem quente” (Apocalipse 3.15). Considerando que Laodiceia não possuía água própria, ficando dependente da água que vinha de outras cidades próximas, se essa água chegasse quente ou fria à cidade, teria alguma utilidade; se, porém, chegasse morna, seria inútil. Com isso, entendemos que Cristo estava dizendo àquela igreja: "Vocês perderam sua utilidade para o Reino". Ou seja, a igreja continuava existindo, realizando variadas atividades, acumulando riquezas, mas havia perdido sua capacidade de impactar o mundo. Desse modo, uma igreja pode continuar funcionando externamente e, ainda assim, deixar de cumprir sua missão.

3. A carta à igreja de Laodiceia nos ensina que a autossuficiência é uma das maiores inimigas da fé: “Você diz: Sou rico, estou bem de vida e não preciso de nada” (Apocalipse 3.17). O problema de Laodiceia não era a falta de recursos, mas o excesso de confiança nos próprios recursos. Enquanto outras igrejas sofriam perseguição, Laodiceia vivia confortável, e esse conforto produziu uma grande cegueira espiritual na igreja. Por esta razão, o Senhor diz àquela igreja: “Mas você não sabe que é infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Apocalipse 3.17). Sendo assim, entendemos que prosperidade sem dependência de Deus é reflexo de cegueira e enorme pobreza espiritual.

4. A carta à igreja de Laodiceia nos ensina que Cristo tem o que realmente precisamos: “Aconselho que você compre de mim ouro refinado pelo fogo, para que você seja, de fato, rico. Compre vestes brancas para se vestir, a fim de que a vergonha de sua nudez não fique evidente, e colírio para ungir os olhos, a fim de que você possa ver” (Apocalipse 3.18). O ouro refinado refere-se à verdadeira riqueza espiritual; as vestes brancas simbolizam pureza, santidade e justiça concedida por Deus; o colírio representa a verdadeira visão espiritual que Jesus oferece, para que possamos andar e viver dentro da vontade de Deus. Logo, compreendemos que somente Cristo pode suprir as necessidades mais profundas de sua igreja e de cada ser humano em particular.

5. A carta à igreja de Laodiceia nos ensina que Cristo nos disciplina e nos chama ao arrependimento: “Eu repreendo e disciplino aqueles que amo. Portanto, seja zeloso e arrependa-se” (Apocalipse 3.19). Deus nos disciplina porque nos ama, não porque deseja nos destruir. A disciplina divina, então, tem finalidade restauradora e é uma porta aberta ao arrependimento. Assim, as correções de Deus demonstram seu cuidado paternal para conosco, levando-nos a uma transformação espiritual que nos faça mais parecidos com o seu filho Jesus.

6. A carta à igreja de Laodiceia nos ensina que Cristo deseja que vivamos uma vida de comunhão com ele: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Apocalipse 3.20). Jesus não procura apenas crentes religiosos, frequentadores de igrejas, que contribuem financeiramente e acham que isso é o centro da vida cristã; mas crentes com quem possa ter um relacionamento pessoal; crentes que orem, que leem a Bíblia, que honrem ao Senhor com suas vidas, com sua conduta cotidiana. Logo, entendemos que é possível ser um religioso sem ter verdadeira comunhão com Cristo.

Portanto, a carta à igreja de Laodiceia nos alerta contra o perigo da autossuficiência espiritual. Diferentemente de igrejas perseguidas ou marcadas por falsas doutrinas, a igreja de Laodiceia estava anestesiada pelo conforto, pela prosperidade e pela falsa sensação de segurança e, por isso, Jesus precisou dizer-lhe que a verdadeira riqueza não está em recursos materiais, mas em uma vida transformada, dependente dele e cheia de discernimento espiritual. A questão que fica é: “Jesus está dentro ou fora do meu coração?”. A resposta a essa questão nos fará, ou não, participantes do seu reino: “Ao vencedor, darei o direito de sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com o meu Pai no seu trono” (Apocalipse 3.21). A Bíblia ainda fala!

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