“Se
alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”
(Mateus
16.24).
A
Bíblia fala que, aqueles que querem seguir a Jesus, deve negar a si mesmo. Isso
significa, no contexto das Escrituras, que a vida cristã deve ser marcada pela
renúncia. Não quero dizer que todo desejo pessoal seja errado. Comer,
descansar, trabalhar, casar, divertir-se e buscar objetivos legítimos não são,
por si mesmos, coisas que o cristão precisa rejeitar. A questão é: “Quem está
governando minha vida: minha vontade ou a vontade de Cristo?” Neste post,
mostramos três pontos que devem ser considerados por quem segue a Cristo.
1. O
seguidor de Cristo deve renunciar o seu ego como autoridade final: “Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo” (Mateus
16.24). Na perspectiva bíblica, o problema do ser humano não é simplesmente
possuir desejos, ambições ou vontade própria. O problema surge quando o próprio
“eu” se torna a autoridade suprema. Desde o Jardin do Éden, vemos esse conflito
no coração do ser humano. A tentação apresentada à mulher envolvia justamente a
ideia de que ela seria “como Deus” (Gênesis
3.5). O pecado, portanto, não é apenas fazer determinadas coisas erradas, mas envolve
também a tentativa de viver de maneira independente de Deus. Nesse contexto, o
cristão que nega a si mesmo é aquele que, no dia a dia da sua vida, se orienta
pela Palavra de Deus. Ele já não diz mais: “Eu faço o que quero da minha vida”,
mas diz: “O que Deus quer que eu faça?”, por entender que agora pertence ao
Senhor (1 Coríntios 6.20).
2. O
seguidor de Cristo deve submeter os seus desejos e interesses à vontade de Deus:
“Não seja como eu quero, e sim como tu queres”
(Mateus 26.39). Essa passagem bíblica nos faz compreender que Jesus tinha uma
vontade humana legítima: ele não desejava o sofrimento da cruz. Mas seu desejo
legítimo não se tornou uma autoridade superior à vontade do Pai. Pelo
contrário, ele se submeteu à vontade de Deus e isso mostra que, negar-se a si
mesmo não significa não sentir desejos, mas significa não permitir que nossos
desejos nos coloquem em confronto com a vontade de Deus. Sendo assim, submeter
os nossos desejos e interesses à vontade de Deus pode significar, muitas vezes,
perdas de dinheiro, quando obtê-lo exigiria desonestidade; perda de conforto,
quando servir exigiria sacrifício; perda de reputação, quando ser fiel significaria
ser incompreendido; perda de prazer, quando determinado prazer fosse
incompatível com a santidade; perda de uma oportunidade, quando aceitá-la
exigiria violar princípios bíblicos. A autonegação acontece, portanto, no ponto
de conflito entre a minha vontade e a vontade de Deus para a minha vida.
3. O
seguidor de Cristo deve aceitar o custo de segui-lo: “Tome
a sua cruz e siga-me” (Mateus 16.24). A imagem da cruz teria sido
extremamente forte para os primeiros ouvintes de Jesus. A crucificação era um
instrumento de execução e humilhação. Neste contexto, Jesus estava falando de
disposição para pagar um preço pela fidelidade a ele. Tomar a cruz e segui-lo
significa, então, estar disposto a suportar as consequências de seguir a Cristo
quando a fidelidade a ele tem um preço que se mostra no dia a dia da vida
cristã. Pedro expressa essa ideia quando afirma que o cristão não deve procurar
sofrimento. Porém, se sofrer por ser fiel a Cristo, não deve abandonar a sua fé
por causa disso (1 Pedro 4.12-16). Logo,
fica evidente nas palavra de Jesus e de Pedro que o sofrimento faz parte da
vida cristã. Não que devemos buscar o sofrimento, mas por que “todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus
serão perseguido” (2 Timóteo 3.12).
Portanto,
seguir a Jesus é uma tarefa que não se concretizará plenamente se não
compreendermos que precisamos, no dia a dia da vida cristã, estar dispostos a
renunciar tudo aquilo que não se harmoniza com a vontade de Deus. Negar-se a si
mesmo é renunciar ao direito de fazer do próprio “eu” o senhor da vida, submetendo
desejos e interesses à vontade de Deus e seguindo a Cristo mesmo quando essa
fidelidade exige sacrifício. A Bíblia ainda fala!